A LINDA LIBERDADE DO BOTO QUE VIROU COR-DE-ROSA

A LINDA LIBERDADE DO BOTO QUE VIROU COR-DE-ROSA

Criança e Boto-Tyba_Ricardo Oliveira edit

Quando o Calypso ancorou no Porto de Manaus, em 1982, a maior espécie de golfinho de água doce não imaginaria que seu nome mudaria para sempre. O regionalmente popular boto vermelho foi rebatizado por Jacques Yves-Cousteau e, a partir daquela expedição do oceanógrafo francês à Amazônia, o animal passou a ser cor-de-rosa para o mundo inteiro. Lindo, encantador.  Porque é um moleque brincalhão. Com precisão cirúrgica, relata o fotógrafo Ricardo Oliveira, abocanha o peixe sem tocar na mão de vários turistas que vão alimentá-lo nas águas do Rio Negro. As crianças divertem-se com ele como se fossem iguais. Os ribeirinhos chamam-no de ‘ladrão’ quando, atrevido, saqueia a malhadeira carregada de pesca.

Em fevereiro de 1956, os quatro primeiros botos cor-de-rosa foram capturados na Colômbia para serem expostos num parque temático, nos Estados Unidos. Até hoje, há aquários pelo planeta que os exibem. Sem a alegria exuberante dessa foto, pois é alta a taxa de mortalidade em cativeiro.

Afinal, dentre os de sua espécie, é o que apresenta a maior distribuição geográfica, ocorrendo em uma área de cerca de 7 milhões de quilômetros quadrados, em 6 países da América do Sul: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Tem liberdade em todos os afluentes do maior rio conhecido, o Amazonas, que atravessa o Norte do Brasil e entra pelo território peruano. Seus únicos limites são águas muito rasas e cachoeiras intransponíveis.

O boto cor-de-rosa não dorme. A lenda é de que, durante a noite, se transforma num rapaz galante e engravida jovens. Assim, os caboclos da região preferem se precaver: “Quem tem filha moça é bom vigiar”.