ÁGUAS DE MARÇO NA COMUNIDADE DO BARATA (RJ)

ÁGUAS DE MARÇO NA COMUNIDADE DO BARATA (RJ)

Nymue de Medeiros/ Yuri da Cunha

A tempestade da madrugada do dia 1º de março de 2020, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, desabrigou centenas de famílias. Parte delas perdeu tudo o que tinha. Um dos bairros mais afetados foi Realengo, que registrou acúmulo de chuva de quase 300mm, equivalente a 300 litros de água num recipiente de apenas um metro quadrado. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou que choveu 152mm a mais do que era esperado.

Houve deslizamentos de terra na maior floresta urbana do mundo, no Parque Estadual da Pedra Branca, provocando uma forte tromba d’água na cachoeira da região (queda do Rio Piraquara), fazendo com que o Rio Catarino mais que dobrasse de tamanho. Na Comunidade do Barata, nas proximidades da Rua Ocaibi, os estragos foram grandes, casas foram seriamente atingidas e a fina camada de asfalto cedeu tornando a pista intransitável. O nível da água subiu cerca de dois metros.

O morador Denilson Penudo, que vive há 23 anos na Comunidade do Barata, contou que a força da água arrastou a obra inacabada da rua: “Toda a parte onde cortou, a água levou, e o asfalto levantava igual a papel aí do chão”. A área foi construída sobre o leito do Rio Catarino. Apenas a 30 quilômetros de distância do Centro do Rio, o Barata suportou quase três horas ininterruptas de chuva forte. As montanhas que cercam a Comunidade ficaram marcadas por cicatrizes dos deslizamentos.

Uma semana depois, a equipe de reportagem percorreu o local e conversou com moradores que viveram esse drama. Nesse período, a solidariedade e o trabalho voluntário ganharam destaque: igrejas e clubes se tornaram o centro de recepção de doações vindas de diferentes locais do Rio, para ajudar as pessoas mais afetadas pelo temporal.